quinta-feira, 15 de setembro de 2011

11 de setembro

Estou alguns dias atrasada para falar dos 10 anos do 11 de setembro; mesmo assim gostaria de colocar o artigo da Gazeta de Limeira do dia 10/11 escrito por Bruno Momesso Bertolo. 
Ele ofereceu uma outra visão dessa data que gostaria de compartilhar.
Antes gostaria de esclarecer os prováveis objetivos dos ataques segundo os especialistas. Os terroristas queriam destruir o WTC (World Trade Center), o Pentágono e a Casa Branca; pois são símbolos do poderio econômico, militar e político dos EUA respectivamente.

     "11 de setembro. Uma data marcante. Neste dia, em 1973, um golpe militar no Chile, apoiado e financiado pelos Estados Unidos da América, depôs e assassinou o Presidente da República, Salvador Allende, implantando uma das ditaduras mais cruéis (estimativa de 40.000 vítimas) da América Latina, comandada por Augusto Pinochet.
     Infelizmente, supramencionado 11/09 é olvidado, como se nunca tivesse ocorrido. Esta data é associada, em regra e de imediato, aos ataques terroristas de 2.001, acontecidos nas cidades de Nova York e Washington, que vitimaram cerca de 3.000 pessoas. Os motivos são desconhecidos, mas pouco ou quase nada se comenta acerca de todos os fatos que desencadearam no 11 de setembro de 2.001.
     Por que se omite que Osama Bin Laden e a Al-Qaeda receberam treinamento, suporte financeiro e militar da CIA, para combater os soviéticos no Afeganistão durante a década de 80? Por que se oculta que George W. Bush recebeu um relatório do FBI em agosto de 2.001, alertando para possíveis ataques terroristas de elevadas proporções e com a utilização de aviões, mas nada foi feito para evitar a tragédia?
     Ademais, o maior atentado terrorista da História, na verdade, deu-se em 6 de agosto de 1.945, quando uma bomba atômica, despejada pela Força Aérea dos EUA, explodiu em Hiroshima, dizimando aproximadamente 140 mil pessoas em um átimo. Se não bastasse, ainda haveria, 3 dias depois, outra explosão nuclear, desta vez em Nagazaki, onde outras 80 mil vítimas foram eliminadas instantaneamente.  Outros milhares faleceriam em razão dos efeitos radioativos, os quais ainda geram deformidades e enfermidades no país nipônico.
     Neste ponto, urge lembrar que o Japão sinalizava uma rendição, porpém os Eua ignoravam os indícios, principalmente porque almejavam testar o nefasto armamento nuclear em uma população, bem como para demonstrar ao mundo e à União Soviética seu poderio militar.
     Como se percebe, há várias reflexões sobre o 11 de setembro.
     Todavia, neste domingo, serão lembrados, unicamente, os 10 anos do atentado de 2.001, com a reiteração infindável de cenas cinematográficas, em vários ângulos, das explosões dos aviões e das ruínas das torres gêmeas. Contar-se-á, de novo e deliberadamente, de relatar os atos que contribuíram e/ou ensejaram aquela situação.
     Afinal, tais ataques são consequência e reação, não uma mera afronta à liberdade e/ou paz dos Estados Unidos, supostos paladinos destes valores, como muito se apregoa pela mídia ocidental. São, sem dúvidas, frutos da política externa belicista do governo estadunidense,  apoiada pela maioria do povo, cuja cultura parece idolatrar a guerra.
     Basta lembrar que tiranias e/ou golpes de estado receberam e recebem apoio e/ou financiamento dos EUA, dentre as quais se destacam os fovernos teocráticos árabes (alguns envolvidos atualmente em constantes revoltas por direitos civis), grandes aliados por fornecerem um importante produto à economia ianque: o petróleo.
     Saddan Husseinm, por exemplo, era estimado parceiro político estadunidense, sendo financiado para combater os iranianos entre 1980 e 1988, tornando-se inimigo apenas quando invadiu o Kuwait, uma vez que este país se recusava a diminuir a produção de petróleo para aumentar o preço do barril no mercado, algo que o ditador iraquiano almejava.
     São fatos registrados pela História, embora sejam pouco divulgados. Os EUA foram e são fomentadores do terrorismo em várias partes do mundo. Portanto, ao menos com relação aos ataques de 11/09, é necessário dizer: os estadunidenses se tornaram vítimas de sua própria cria.
     Toda vida ceifada, independentemente de nacionalidade merece respeito e condolências. Porém, não devemos compactuar com a ideia de que o 11 de setembro de 2.001 se resume, pura e simplesmente, a um ato de fanatismo religioso. Engloba, sobretudo, interesses políticos e econômicos de governos e empresas. Não se relacionam com direitos, liberdade ou paz, vestes utilizadas, não raro, para legiimar guerras, como ocorreu no Afeganistão e no Iraque após 11/09/2011.”



quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Café filosófico 09/09/2011


As Razões do Ódio

Por Luiz Felipe Pondé
Podemos amar sempre? O cristianismo diz que amar ao próximo é uma possibilidade e uma salvação para todos. Mas, e todo mundo merecer amor? A nova hipocrisia (“o totalitarismo do bem social”) diz que sim, basta darmos aos homens e mulheres boa educação, condições de vida, ferramentas de auto-estima, um meio ambiente sustentável, enfim, instrumentos para a transformação do ser humano em um ser de luz, tolerância e amor social. Alguns crêem que o mal seja apenas uma palavra para descrever o mundo da ignorância e do irracional.
Combatendo a ilusão da religião e dos mitos, pautando a vida pela ciência e pela certeza do avanço político alcançado (o dogma da democracia), muitos de nós, respiramos aliviados. Doce ilusão. Seria o ser humano capaz de deixar pra atrás seus fantasmas de ódio, rancor, inveja e destruição? Vamos ouvir o que alguns filósofos têm a dizer sobre isso: Aristóteles, Marco Aurélio, Hobbes, os iluministas, Nietzsche, Freud, Adorno, Sartre, Hannah Arendt, Foucault, Sloterdijk, entre outros.
A hipótese deste módulo é que não. A vocação para o ódio e para o mal no homem e na mulher é algo intrínseco. Suas formas históricas são variadas, mas a fonte é sempre a mesma: somos um animal assustado, acuado, insatisfeito, que compara sucessos, que se sente injustiçado, em sofrimento continuo.
O diagnóstico que este módulo propõe analisar é que as “tentações do bem” – forma contemporânea de negação neurótica da sombra assustadora do humano, materializada no politicamente correto, no neopaganismo de uma natureza pretensamente santa, numa obsessão de saúde, enfim, numa política de mentira sistemática acerca dos limites do bem e do amor na vida concreta – fazem do homem um exilado de si mesmo, sem condições de olhar a si mesmo no espelho e ver a escuridão que também o habita e o constitui. Sempre haverá guerras, mortes, injustiça, medo porque estas são faces do humano, assim como o são sua capacidade para a arte, ciência, filosofia e moral.
Durante quatro encontros, quatro pensadores discorrerão pelas sombras do humano apontando quatro tópicos distintos, mas relacionados, buscando por diante de nós as razões do ódio e como compreender algumas das causas de sua existência eterna e constante, contra as ilusões de um mundo que se diz melhor pelo amor à mentira.